sábado, 26 de julho de 2008

A emoção está no ar

É difícil entender porque as tendências mudam tanto, talvez seja pela vontade eterna que a sociedade tenha de se auto-afirmar. Na era em que real e virtual não conseguem se distinguir, não se consegue também distinguir as sonoridades, hoje se definiu uma tendência musical, estagnada e com intenções de efetivação. Triste é saber que as franjas e as canções de amor já existiam antes da era digital, não foi inventada e colocada como inovação universal, e sim para mais uma vontade de auto-afirmação.
Não se tem mais revolta nem reclamações, está tudo bem, e o mais importante é falar de amor, mas, é claro não praticá-lo, pois, não existe aquecimento global, exclusão, animais abandonados, "está tudo bem" , o importante agora é falarmos da namorada que perdemos e dizer que a gravata foi usada primeiro pela desenhada Avril Lavigne. Vamos consumir meu amigos, e vocês poucos que sobraram e conservaram o não-consumismo, não se vendam a gritaria adolescente foquem-se na essência do que é bom de ouvir não o que é bom de vender.
Não se sintam frustrados por terem difamado o estilo Funk, estereotipando-o fora de tudo que é estadunidense, difamando mulheres e dizendo que a criminalidade é para a proteção da comunidade, nós sabemos a essência do Funk e quem o usou de forma erudita. E a todos os pop's, exceto Michael Jackson que apesar de ser o atual bizarro, acrescentou muito para a música com a melhor performance de toque na genitália do mundo, enfim, a todos os bling bling's, emocionados e afins sintam-se livres para estagnarem-se, mas, eu lhes digo o mundo é do real, da mudança rápida e é claro dos Beatles.


Roxanne Huber


sexta-feira, 4 de julho de 2008

O texto que originou o nome do blog.

Maquiagem da felicidade

O curta “Joyce” de Caroline Leone traz uma “criança” de doze anos, que passa pelo amor e que tenta esquecer o pai ausente, as condições precárias de moradia e de vida, para buscar seu afeto não correspondido. Esse é o mundo de quem vive na periferia, tentam se esquecer do esgoto a céu aberto, das famílias desarmonizadas, para viver os sonhos de ter alguém ou algo, que supra a falta de normalidade que pairam por essas pessoas marginalizadas pela sociedade e pelas políticas públicas.

Ao ver o sonho de ser dançarina de Joyce, a platéia ri ao assistir, não para ridicularizar, mas pela inocência juvenil, ao mesmo tempo seu pai (ou responsável pela família) quebra todo aquele momento, onde ela não é mais a menina e passa a ser uma estrela com a unicidade que se quer tanto alcançar, Joyce volta à realidade e lembra que ainda tem seu amor para encontrar. A estrela daqueles catorze minutos segue então para as ruas escuras, com sua irmã, ou talvez filha, a tira colo, essa menina tão abatida e que enxerga os sonhos de Joyce como se fossem os seus, segue fielmente a sua única figura de maternidade sem saber o rumo que é tomado. No caminho vimos cachorros abandonados esperando a caridade, homens rindo ao som da música típica nordestina, muito alta, todos olham para duas crianças andando na noite diversa de São Paulo, sem tanto estranhamento, pois a normalidade é a população toda, abandonada sem ter visão nenhuma do amanhã. Ao chegar ao boteco, a pequena se diverte ao olhar o fliperama antigo, enquanto Joyce termina de escrever sua declaração a sua paixão, quando termina de registrar sobre o papel de corações puxa sua irmã velozmente, com o coração batendo forte a poucos momentos de ver o rapaz.

Em um ambiente de diversão barata, com muita vergonha ela passa pela multidão, e entrega a carta para sua paixão, tão mais velho que ela, mostra a todos a declaração de Joyce enquanto ela corre para não olhá-lo nos olhos, ninguém sabe ao certo se algo aconteceu, o que sabemos por enquanto é que ela ainda tem esperança e isso talvez baste para os espectadores, que saem da pequena sala de cinema pensando: “O que acontece agora?”. Para a diretora Caroline Leone isso é ótimo, pois conseguir tirar emoção e curiosidade do público é algo incrível, todos os filmes de caráter padronizado hollywoodiano, quase sempre mostram o fim, ou seja, nós não pensamos vira mera diversão, no curta “Joyce” o final vira reflexão.

Ao ver a menina da periferia imaginar nos carros um mar, e se divertir nas ruas com um delicioso sorvete, pensamos na simplicidade de nossas vidas, e na dificuldade que desde uma criança até o chefe de família passa na grande metrópole, que fecha seus olhos luminosos para a pobreza e exclusão social, São Paulo trata mal; crianças, animais, humanos. È estranho por a culpa na cidade sabemos que somos nós que compomos essa megalópole, portanto nós somos ela e temos a obrigação de pensarmos e agirmos como seres políticos, devemos pensar na rotina de Joyce como um exemplo do que acontece cotidianamente, todos nós temos sonhos, vontades, mas antes de concretizarmos devemos olhar a nossa volta, pensar e perceber que devemos aprender a viver como seres humanos, e não como seres movidos de prazeres momentâneos.

Terminamos passando nossa maquiagem, tampando a triste realidade de ser esquecida pelo amor, e pela vida, essa maquiagem um dia sairá e veremos a verdade que nos rodeia a ponto de pensar em como deixar o que escondemos de cara limpa, e assim talvez chegaremos a real felicidade.

Roxanne Huber